Na Kalapa Clinic, a única clínica de canábis medicinal da Europa, os pacientes recebem o que é conhecido como terapia controlada. Isto significa que o caso de cada paciente é revisto individualmente, e é criado um protocolo médico de canábis correspondente, no que diz respeito à altura, peso, idade e muitas outras variáveis.

Os médicos são capazes de acompanhar o progresso do paciente ao longo do tratamento e podem adaptar o protocolo ao modo como o paciente está a responder ao tratamento. Como não existem investigações definitivas suficientes acerca dos benefícios da canábis medicinal em várias doenças e enfermidades, encoraja-se este tipo de terapia. Ser capaz de detetar os efeitos exatos da canábis medicinal em várias doenças significa que os protocolos de tratamento podem ser mais precisos para pacientes com doenças semelhantes. Com o tempo, este conhecimento ajudará investigações, diagnósticos, tratamentos, formação e educação futuros.

Terapias controladas, benefícios e investigação em canábis medicinal

Se ler qualquer um dos estudos publicados que investigaram as aplicações médicas e terapêuticas da canábis, estará familiarizado com a frase “é necessária mais investigação”. Não obstante, desde 2012, tem havido um número crescente de estudos a serem publicados neste campo, à medida que mais países sobem a bordo do vagão da canábis medicinal. A maior parte destes estudos foca-se na segurança da sua utilização e do seu potencial para o tratamento da dor, espasticidade, epilepsia e náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, ou NVIQ, e todos com resultados positivos.

Um dos maiores estudos efetuados neste âmbito foi realizado ao longo de dois anos (2015-2017). Pediu-se a um inferior de 3000 pacientes com cancro para tratar as suas dores e insónias com canábis. Os resultados mostraram que, ao longo de 2 anos, 95,9% dos participantes relataram que os sintomas e bem-estar geral melhoraram, e que a canábis ajudou a aliviar as dores e as insónias. Os mesmos investigadores conduziram um estudo, de duração semelhante à do outro, que se focou no uso de canábis para o controlo da dor na população idosa. A conclusão extraída desses dois estudos é que a aplicação terapêutica da canábis é segura e eficaz. No entanto, tal como todos os outros estudos, também acrescentou que é fundamental que sejam conduzidos mais ensaios nesta área.

Isto leva-nos a um dos problemas que podem surgir quando os investigadores embarcam no longo caminho para estudar a canábis medicinal. Há obstáculos legais constantes que inevitavelmente afastam os investigadores. Outras barreiras incluem questões de financiamento e de fornecimento, no entanto, um obstáculo demasiado grande para os investigadores ultrapassarem é o dos desafios metodológicos. Como a marijuana tem um extenso historial de utilização recreativa e os seus efeitos psicoativos são conhecidos em todo o mundo, isto faz com que a condução de estudos cegos (quando a informação é ocultada é dos participantes da experiência para evitar a parcialidade) seja bastante difícil.

Para se poder testar os efeitos reais da canábis medicinal, também é importante ter um grupo placebo. No entanto, ao testar os canabinóides psicoativos, como o THC, os participantes do placebo saberão instantaneamente que não receberam THC real, afetando os resultados dos estudos. É por isso que as terapias controladas, como as da Kalapa Clinic, são benéficas. Não têm o mesmo valor científico que os ensaios clínicos, mas, no entanto, é mais fácil quantificar os efeitos específicos da canábis medicinal em patologias individuais. Os resultados de cada paciente são documentados e podem ser estudados para melhorar ainda mais a compreensão de como os canabinóides funcionam.

Na nossa clínica, o maior benefício das terapias controladas é que o médico tem mais tempo com cada paciente, uma consulta demora, em média, 1 hora. O Dr. Kratz, um membro da equipa especializada de Kalapa, diz que não só o médico tem mais tempo para estudar o historial médico do paciente, como também tem tempo para falar com os pacientes de forma mais aprofundada acerca do tratamento, dos seus efeitos secundários e da canábis medicinal em geral. Para além disto, com mais tempo cara a cara, isto significa que têm tempo para colocar todas e quaisquer questões que possam ter, sem sentir nenhuma pressa. Isto resulta num melhor relacionamento entre o médico e os seus pacientes e os pacientes compreendem melhor o seu tratamento. Isto também é bom para reduzir o medo e o estigma que ensombreia a marijuana medicinal.

Referências

Novak, V. et al (2018), Prospective analysis of safety and efficacy of medical cannabis in large unselected population of patients with cancer. European Journal of Internal Medicine. Volume 49 (Pages 37 – 43).

Abuhasira R, Schleider LB, Mechoulam R, Novack V (2018), Epidemiological characteristics, safety and efficacy of medical cannabis in the elderly. NCBI. Volume 49 (pages 44 -50).

National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine; Health and Medicine Division; Board on Population Health and Public Health Practice; Committee on the Health Effects of Marijuana: An Evidence Review and Research Agenda. The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids: The Current State of Evidence and Recommendations for Research. Washington (DC): National Academies Press (US); 2017 Jan 12. 15, Challenges and Barriers in Conducting Cannabis Research.

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