CANABINÓIDES

Os canabinóides são um grupo de moléculas que interagem com os recetores do sistema endocanabinoide. São referidos como endocanabinoides se forem produzidos no nosso organismo como parte dos processos fisiológicos. Chamam-se fitocanabinoides quando são de origem vegetal e canabinóides sintéticos quando foram criados artificialmente em laboratório.

No início, o termo canabinoide estava ligado aos compostos próprios da canábis. Mas, agora, o conceito canabinoide é dado a todos os produtos químicos que interagem com os recetores canabinóides.

Habitualmente, o estudo dos canabinoides foca-se no sistema endocanabinoide humano, mas, tendo em conta os seus mecanismos de ação e as possibilidades terapêuticas que proporcionam, os investigadores também começaram a estudar o sistema endocanabinoide animal.

Como os canabinóides funcionam | Kalapa Clinic

 

Endocanabinoides

Os endocanabinoides são moléculas produzidas pelo nosso corpo que atuam como mensageiras através dos recetores canabinoides. Os mais importantes são a anandamida e o 2-Araquidonil-glicerol (2-AG), pois ambos são sintetizados quando solicitados (os endocanabinoides não são armazenados no corpo, mas sim sintetizados onde e quando o organismo necessita deles para funcionar). Por outro lado, atuam nos seus respetivos recetores e são degradados pela enzima FAAH, todos no mesmo sítio de ação. Não atuam de forma sistémica, ou seja, atuam somente na localização exata do nosso corpo onde é necessário um efeito específico e seletivo, dependendo do tipo de célula em que os recetores endocanabinoides são ativados.

Nos últimos anos, o conhecimento acerca das implicações dos canabinoides em diferentes sistemas fisiológicos aumentou significativamente. Sabe-se também que o sistema endocanabinoide pode influenciar os três sistemas básicos de regulação fisiológica: o sistema neurotransmissor, o sistema imunitário e o sistema endócrino.

 

Óleo de canábis | Canabinóides | Kalapa Clinic

Fitocanabinoides de Canábis

As variedades da planta canábis contêm cerca de 500 compostos químicos diferentes, dos quais cerca de 100 fazem parte da família dos fitocanabinoides (Waseem, 2014). Os canabinoides mais estudados, do ponto de vista terapêutico, são o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD), embora os investigadores estejam a começar a investigar canabinoides como o Canabinol (CBN), o Tetrahidrocanabivarin (THCV) e o Canabigerol (CBG), pois apresentam características de potencial interesse médico em diferentes estudos pré-clínicos.

Quando os canabinoides estão na planta, eles estão na sua forma ácida. Nesse estado, o THC, por exemplo, não tem nenhum efeito psicoativo. Após a aplicação do calor, passa pelo processo de descarboxilação e passa para a sua forma ativa, que possui propriedades psicoativas.

Para além dos canabinoides contidos na planta, existem outros compostos químicos com potencial terapêutico. É de realçar, em particular, os terpenóides, que são uma parte atribuída das propriedades organoléticas da canábis (McPartland et al., 2014). Existem também outras famílias de compostos que ainda não foram estudadas, como os flavonoides, os alcaloides, os fitoesteróis, etc.

O Efeito Entourage dos Canabinoides

A presença de uma quantidade tão elevada de diferentes compostos na planta canábis pode resultar em interações farmacológicas, sinérgicas ou antagónicas. Ao estudar estas interações, observou-se que, tanto em termos de eficácia quanto de tolerância, os tratamentos com preparações completas da planta foram mais promissores do que o uso isolado de canabinóides. Este efeito conjunto, denominado de efeito “Entourage”, foi descrito pela primeira vez, em 1998, por Raphael Mechoulam (Ben-Shabbat, 1998; Russo & Taming, 2011). O melhor exemplo descrito até agora é o par THC-CBD cuja combinação torna o THC mais bem distribuído, aumenta a biodisponibilidade (o nosso corpo utiliza a quantidade disponível da forma mais eficaz) e reduz possíveis efeitos secundários (McPartland et al., 2014). Embora existam poucos estudos acerca desta matéria, acredita-se que o efeito entourage não se deva somente às interações entre os diferentes fitocanabinoides, mas também à interação funcional entre os componentes canabinoides e não canabinoides da planta, como os terpenos e os flavonoides.

Foram descobertas diversas qualidades terapêuticas dos fitocanabinoides. Estes tipos de canabinóides são metabolizados nos recetores CB1 e CB2 e são úteis em condições com dor crónica e/ou processos inflamatórios.

Principais Canabinóides terapêuticos | Canabinóides | Kalapa Clinic

 

Canabinoides Sintéticos

Os canabinóides sintéticos são gerados, como o nome sugere, artificialmente, tendo em conta as qualidades dos endocanabinoides e dos fitocanabinoides.

São extratos criados em laboratórios e são cópias das características mais relevantes dos endocanabinoides, portanto, funcionam e são metabolizados nos recetores CB1 e CB2, mas não têm os mesmos efeitos que os fitocanabinoides ou endocanabinoides e não têm efeitos farmacológicos tão potentes quanto os do THC (Mechoulam, 2016).

Os primeiros canabinóides sintéticos foram criados na década de 70, para explorar e compreender as vias do sistema canabinoide endógeno.

Alguns canabinóides sintéticos, como o Dronabinol e a Nabilona, são utilizados, a nível médico, para tratar náuseas e vómitos provocados pelo tratamento com quimioterapia ou em casos de anorexia causada por imunodeficiências devido às suas propriedades orexígenas.

Só os fitocanabinoides é que são metabolizados nos mesmos recetores (CB1 e CB2) no sistema endocanabinoide.

 

Bibliografia para Canabinóides

El Sohly M, Waseeem G. Constituents of Cannabis Sativa. In: Pertwee RG, editor. Handbook of Cannabis. Oxford, United Kingdom: Oxford University Press; 2014. p. 3-22.

Ben-Shabat S, Fride E, Sheskin T, Tamiri T, y cols. An entourage effect: inactive endogenous fatty acid glycerol esters enhance 2- arachidonoyl-glycerol cannabinoid activity. Eur J Pharmacol. 1998;353(1):23-31.

Russo EB. Taming THC: potential cannabis synergy and phytocanna- binoid-terpenoid entourage effects. Br J Pharmacol. 2011;163(7):1344-64.

McPartland JM, Russo EB. Non-Phytocannabinoid Constituents of Cannabis and Herbal Synergy. In: Pertwee RG, editor. Hand- book of Cannabis. Oxford, United Kingdom: Oxford University Press; 2014. p. 280-95.

Mechoulam R. Cannabis – the Israeli perspective. J Basic Clin Physiol Pharmacol. 2016, 27(3):181-187

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